Um ataque informático durante a noite fez subir a temperatura de frigoríficos e arcas congeladoras de supermercados em pelo menos 11 países europeus, e várias lojas tiveram de deitar comida fora.
Os atacantes aproveitaram falhas em sistemas que controlam à distância as unidades de frio. Estas falhas, chamadas vulnerabilidades (buracos de segurança num programa), já tinham sido identificadas por investigadores de cibersegurança meses antes, segundo a BBC.
O mapa é largo: Portugal, Bélgica, Luxemburgo, Suécia, Irlanda, Estónia, Alemanha, Itália, Países Baixos e Reino Unido. Na Bélgica e no Luxemburgo, cerca de 40 supermercados Delhaize foram afectados, e a BBC fala ainda em 15 lojas Carrefour. Em Portugal, o Grupo Mosqueteiros disse à SIC Notícias que pelo menos sete lojas Intermarché foram atingidas, sem dizer quais, e aponta para um prestador externo que gere a refrigeração. O grupo garante que a higiene e a segurança alimentar estão asseguradas. O governo italiano fala em cerca de 20 lojas; a Roménia, em seis; a Alemanha, em quatro.
O prejuízo pesa. Vários retalhistas deitaram fora alimentos estragados, em alguns casos no valor de centenas de milhares de euros, e uma estimativa citada pela BBC aponta para milhões. A fabricante belga Sabcobel diz que os aparelhos foram postos em modo de descongelação. No Reino Unido, a associação AIMS relata que um membro viu unidades de frio chegarem aos 100 graus, mas que os equipamentos estavam vazios.
Quem está por trás
Ninguém reivindicou o ataque e o motivo continua desconhecido. O comissário europeu Christophe Hansen classifica-o como uma tentativa deliberada de perturbar o abastecimento alimentar. Já Dan Cimpean, responsável pela cibersegurança na Roménia, diz não suspeitar de um actor estatal. Richard Horne, do centro de cibersegurança britânico NCSC, considera cedo para apontar culpados. A Bélgica abriu uma investigação judicial e a Itália reuniu de emergência os serviços de informações, embora o governo italiano diga que o impacto foi limitado a lojas com segurança desactualizada. Em Outubro, supermercados em França já tinham sofrido ataques semelhantes.
O que isto significa
A empresa de segurança Forescout diz ter encontrado quase 13 000 sistemas de controlo de refrigeração abertos na internet, em 99 países. Os dados não dizem se Angola está na lista. Mas o recado serve para todos: cada aparelho ligado à rede sem protecção é uma porta aberta. A agência de cibersegurança italiana já enviou recomendações técnicas aos retalhistas.




