Os Estados Unidos atacaram alvos iranianos na ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz, na segunda-feira, segundo um responsável norte-americano ouvido sob anonimato pela Euronews e vários jornais dos EUA citados pela RFI. O Pentágono não confirmou oficialmente a operação. O ataque aconteceu poucas horas antes das eleições intercalares norte-americanas. Meios de comunicação iranianos relataram cinco explosões na ilha.
Do lado americano, a versão é de defesa. O responsável ouvido sob anonimato diz que os alvos eram iranianos que usavam mísseis terra-ar contra um activo dos EUA. Uma fonte militar não identificada disse à Associated Press que o ataque respondeu a mísseis lançados a partir de Qeshm e que houve vários ataques deste tipo nos últimos dias. Israel, aliado de Washington, não terá participado, de acordo com uma fonte não identificada.
Teerão entre a ameaça e o diálogo
O ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, afirmou que o país tem direito à autodefesa. Já Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano com os EUA, disse que o Irão pode retomar a guerra, mas continua disposto a chegar a um entendimento. O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, confirmou conversações indirectas com Washington, com o Qatar e o Paquistão como mediadores.
Em Washington, os sinais também apontavam para a mesa de negociações. Horas antes do ataque, Donald Trump falou em progressos com Teerão e escreveu na Truth Social que o Irão quer um acordo o mais depressa possível. O vice-presidente JD Vance disse estar optimista. Trump tinha prometido que não haveria ataques norte-americanos até às intercalares.
O que isto significa
A guerra dos EUA no Irão começou no final de Fevereiro e tem perturbado fortemente o transporte marítimo em Ormuz, por onde passa normalmente cerca de um quinto do petróleo mundial. Segundo a RFI, o conflito é impopular nos Estados Unidos e pesou na economia, com uma subida acentuada dos combustíveis. Tudo isto chega às urnas numa altura em que o Partido Republicano tenta manter o controlo do Congresso. A próxima pergunta é se as conversas mediadas pelo Qatar e pelo Paquistão aguentam este novo episódio.



