A Binance, a maior bolsa de criptomoedas do mundo, perdeu cerca de 6,34 mil milhões de dólares num ataque informático que, segundo a própria empresa, passou por uma entrevista de emprego falsa. O caso foi noticiado pela Wired e pelo The Guardian. De acordo com a Binance, o golpe final aconteceu a 29 de Outubro e durou cerca de 20 minutos.
Do download à entrevista falsa
A versão da empresa é esta: tudo começou em Junho, quando um engenheiro descarregou uma instalação adulterada do Homebrew, uma ferramenta que os programadores usam para instalar programas no computador. Veio com malware, ou seja, software malicioso.
Em Setembro, a operação evoluiu para uma fraude de recrutamento: um engenheiro foi enganado com uma entrevista de emprego falsa e descarregou software malicioso. A 20 de Outubro, o atacante usou o computador comprometido e uma ferramenta interna de inteligência artificial para controlar o sistema desse engenheiro e de outro programador de carteiras digitais. Nove dias depois, a partir do computador do segundo programador, accionou o script que lançou o ataque.
Quem está por trás
A Binance suspeita de hackers da Coreia do Norte. O FBI atribuiu o assalto a esse país e, a 31 de Outubro, associou-o ao grupo TraderTraitor. A Coreia do Norte nega: numa reacção atribuída a Kim Yo-jong e divulgada pela KCNA, classificou a acusação de retórica absurda.
A empresa diz que, só em 2026, detectou e travou 57 casos suspeitos de ameaças informáticas ligadas à Coreia do Norte. Segundo a TRM Labs, hackers ligados ao país terão roubado cerca de 12 mil milhões de dólares em criptomoedas desde 2017.
O dinheiro foi espalhado por mais de 10 blockchains, as redes digitais onde ficam registadas as transacções de criptomoedas. A Elliptic contou cerca de 12.000 carteiras usadas em 11 blockchains nos primeiros três dias e meio de branqueamento. Mesmo assim, quase metade dos fundos foi congelada por empresas do sector: a Binance fala em 2,85 mil milhões de dólares congelados ou interceptados.
A empresa pediu desculpa aos utilizadores, aos parceiros e à indústria, e diz ter reservado fundos para cobrir as perdas. Para quem trabalha ou quer trabalhar em tecnologia, o caso deixa um alerta: uma oferta de emprego pode ser a porta de entrada de um ataque.




