Luanda tinha mais de dois milhões de desempregados no final de 2024, segundo dados do INE divulgados pelo Expansão. É a primeira vez que o instituto publica números de emprego só para a capital.
Em contas simples: de cada dez pessoas activas em Luanda, quatro não tinham trabalho. Segundo o INE, a taxa de desemprego na província chegou aos 40,5% da população economicamente activa. A taxa nacional era de 31,5%. Luanda fica, assim, nove pontos percentuais acima da média do país.
Quantos somos e quantos trabalham
De acordo com o INE, a província tinha 9,65 milhões de habitantes, dos quais 5,72 milhões com 15 ou mais anos. A população economicamente activa era de 4,99 milhões de pessoas. Destas, cerca de 2,97 milhões estavam empregadas.
Mas ter trabalho não quer dizer ter trabalho formal. Segundo o INE, cerca de 1,77 milhões de trabalhadores de Luanda, 59,5% do total, exerciam actividades informais. O emprego formal abrangia cerca de 1,20 milhões de pessoas, 40,5% dos trabalhadores, segundo cálculos do Expansão com base nos dados do instituto.
Onde está o emprego
O comércio por grosso e a retalho, incluindo reparação de veículos, é o maior empregador da capital, com 40,9% dos trabalhadores, indica o INE. Segue-se a administração pública, defesa e segurança social, com 13,8%. Os transportes, armazenagem, alojamento e comunicação ficam com 10,7%. A construção absorve 6,7% e a indústria, energia e água 6,3%.
O que isto significa
Se estás à procura do primeiro emprego em Luanda, os números mostram uma disputa apertada: para cada três pessoas com trabalho, há duas sem trabalho. E quem consegue um posto tem mais hipóteses de o encontrar no informal ou no comércio do que numa fábrica ou numa obra.
Como estes dados sobre Luanda saem agora pela primeira vez, passa a haver uma base para comparar. A próxima pergunta é simples: o desemprego na capital vai subir ou descer?
