A distribuição dos 212 apartamentos do novo conjunto habitacional da Carreira, em Malanje, está envolta em denúncias de tráfico de influência e corrupção. Segundo o portal Lil Pasta News, fontes no Governo Provincial de Malanje e no Fundo Nacional para a Habitação (FNH) dizem que mais de 90% das casas terão ficado com militantes do MPLA.
O conjunto foi inaugurado há pouco tempo no bairro da Carreira e já tem moradores. Mas uma fonte do Governo Municipal do Quéssua diz que os apartamentos estão inacabados por dentro: há unidades sem mosaicos e sem equipamentos básicos de cozinha e casa de banho.
Um documento, nenhuma candidatura
Antes da inauguração, o FNH fez circular um documento com preços, modalidades de aquisição, quotas e requisitos de candidatura. Pelas informações disponíveis, porém, não terá sido aberto um processo oficial de venda ou candidatura acessível ao público em geral. Uma fonte ligada ao Governo Central considera que o documento deu uma ideia de transparência sem que houvesse um processo efectivamente aberto.
Os nomes apontados
As denúncias citadas pelo portal vão mais longe. O governador provincial, Marcos Alexandre Nhunga, terá ocupado 30 casas da Carreira destinadas a famílias de zonas de risco, além de uma residência no projecto junto à Escola do II Ciclo Nicolau Gomes Spencer. O ex-comandante provincial da polícia João Cariqui terá obtido uma casa pensada para famílias vulneráveis, apesar de viver numa vivenda protocolar.
As suspeitas não ficam pela Carreira. No bairro da Vanvoala, vários imóveis do programa habitacional para jovens terão ido para militantes do MPLA, entre eles o segundo-secretário do partido em Malanje, Nelo de Carvalho, segundo a denúncia. Residências de habitação social das Forças Armadas Angolanas, perto do Gaiato, também terão sido apropriadas por membros do partido com responsabilidades no governo central.
Até agora, nem o FNH nem o Governo Provincial de Malanje apresentaram respostas formais às acusações. Para quem espera por uma casa social em Malanje, sobretudo os jovens a quem parte destes programas se destina, ficam por esclarecer as regras de acesso e quem, de facto, recebeu as chaves.